'Minha filha era meu tudo', diz mãe de jovem assassinada por Serial Killer de Maceió Familiares da vítima acompanham júri popular de Albino Santos de Lima. — Foto: Assessoria MPE/AL
“Minha filha era minha companheira, meu tudo. Me ajudava em tudo. Eu só tinha ela.” Com essas palavras, Piedade Wilma Melo dos Santos, mãe de Ana Clara Santos Lima, de 16 anos, resumiu a dor que marcou sua vida desde o assassinato da filha, ocorrido em agosto de 2024.
Nesta quinta-feira (31), quase um ano após o crime, começou em Maceió o terceiro júri popular de Albino Santos de Lima, conhecido como o “Serial Killer de Maceió”. Ele é acusado de ter matado Ana Clara no bairro Vergel do Lago, em mais um dos 18 homicídios já confessados por ele.
O primeiro a depor foi o dono do imóvel onde Ana Clara tentou se proteger após ser baleada. O depoimento foi feito de forma virtual. Segundo ele, a adolescente empurrou a porta da casa já ferida, e entrou enquanto o casal dormia com o filho de três anos.
"Ela tombou na nossa cama já baleada. Ouvi dois tiros, um deles bem na frente do meu filho. Ele ficou muito traumatizado.", contou o homem. A família precisou se mudar após o crime, afetada psicologicamente pela cena de violência.
Durante o depoimento, a mãe de Ana Clara não conteve o choro ao lembrar o dia da morte da filha.
Ana Clara tinha ido ao ginásio perto de casa. Segundo a mãe, todos os dias ela tinha o hábito de ligar para a filha, mas naquele dia, não.
"Meu coração estava apertado, achava que tinha alguma coisa errada. Aí peguei o carrinho e fui pra casa, quando ia chegando vi o Samu e a viatura da polícia e fiquei gelada. Quando me aproximei todo mundo olhando pra mim e pensei: meu Deus , o que está acontecendo? Aí o policial perguntou se eu era a mãe de Ana Clara e perguntei o que aconteceu, se ele estava viva e ele disse que infelizmente não. Aí pedi pra ver a minha filha e só vi os pezinhos dela."
Piedade também rechaçou a versão do acusado, de que Ana Clara estaria envolvida com drogas.
Outra testemunha foi uma amiga da vítima, que estava com Ana Clara pouco antes do crime. Ela relatou que estavam assistindo a um jogo com uma prima e que não houve qualquer abordagem estranha.
"Era uma boa menina, não tinha mau comportamento, não gostava de ousadia, não usava drogas, era uma menina muito boa", disse.
Durante o julgamento, a acusação reforçou o padrão dos crimes cometidos por Albino.
“São inúmeras vítimas. Ele mesmo já confessou e perdeu a conta. Todos os crimes seguiram o mesmo modus operandi: motivo torpe, com recursos que dificultaram a defesa, e sempre contra jovens. Esperamos que o conselho de sentença faça justiça", reforçou o promotor de Justiça, Antônio Villas Boas.
Defesa aposta em insanidade mental
A defesa do acusado tenta basear sua tese em incapacidade mental, alegando que ele não tinha consciência dos seus atos.
“É uma tarefa difícil, no entanto, eu pretendo garantir os direitos que qualquer cidadão tem de ampla defesa do contraditório. A minha tese defensiva vai se basear apenas na questão da insanidade mental da pessoa que comete 18 homicídios. Uma pessoa normal não faz. Vou pedir a absolvição dele por ele ser um a pessoa inimputável, ele não tem capacidade mental de entender o que fez e por isso não pode ser culpado por qualquer tipo de crime porque ele tem a proteção da lei por sua incapacidade mental", afirma o advogado Geoberto Luna.
Apesar de haver laudo atestando que Albino tem plena capacidade de entender o caráter ilícito dos seus atos, a defesa pediu a ampliação da avaliação por uma equipe multidisciplinar.
"A defesa não contesta a questão técnica do psiquiatra, a gente pede que seja ampliado esse laudo por uma equipe multidisciplinar, porque a opinião de um psiquiatra não garante que ele tem capacidade ou não. Apesar de aceitar tecnicamente, vou contestar essa única opinião que ele tem capacidade mental de entender. Eu entendo que não”, finalizou.
*Com informações do Ministério Público de Alagoas
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