Notícias

Após vídeo revelar execução, PMs são presos por matar alagoano desarmado em São Paulo

Por Elisângela Costa em 06/08/2025 10:44:54

O alagoano Jeferson de Souza, de 24 anos, foi executado com três tiros de fuzil por um policial militar no dia 13 de junho, por volta das 21h25, embaixo do Viaduto 25 de Março, no bairro do Brás, região central de São Paulo. A vítima, em situação de rua, estava desarmada e rendida por agentes da Força Tática.

A versão inicial dos policiais afirmava que Jeferson tentou tomar a arma de um deles. No entanto, imagens da câmera corporal (COP) de um dos PMs desmentem essa alegação. A gravação mostra que a vítima não ofereceu resistência e estava com as mãos à cabeça no momento em que foi baleada.

O responsável pelos disparos, o tenente Alan Wallace dos Santos Moreira, foi preso preventivamente, assim como o soldado Danilo Gehrinh, que operava a câmera e tentou cobrir a lente com a mão durante o crime.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Alan por homicídio doloso duplamente qualificado — por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Danilo deve responder por ter contribuído com a ação.

Jeferson foi atingido na cabeça, tórax e braço direito. Ele foi levado pelos PMs para trás de uma pilastra, após descer de uma árvore, ação considerada suspeita pelos agentes. Ali, sob pouca visibilidade, o alagoano foi abordado e mantido rendido por três policiais.

O caso, inicialmente registrado como tentativa de resistência e tentativa de pegar a arma dos policiais, foi reavaliado após o vídeo da câmera COP mostrar que nenhuma ação de agressão ou tentativa de desarmamento ocorreu. Segundo o MP-SP, não há sinais de defesa ou reação por parte dos PMs no momento dos disparos.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que determinou a prisão imediata dos envolvidos após assistir às imagens. Os dois policiais estão detidos no Presídio Militar Romão Gomes. A Polícia Militar afirmou, em nota, que repudia a conduta dos agentes e que o caso é investigado por um Inquérito Policial Militar (IPM) da Corregedoria.

A defesa do tenente Alan afirmou, por meio do advogado João Carlos Campanini, que a ação foi em legítima defesa e que isso será demonstrado no tribunal do júri. A defesa de Danilo Gehrinh não se manifestou.


*Por GazetaWeb

Gostaríamos de utilizar cookies para lhe assegurar uma melhor experiência. Você nos permite? Política de Privacidade

Perguntar Depois