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Brasil teve uma morte confirmada por hantavírus em 2026

Por Elisângela Costa em 11/05/2026 12:36:32

O Brasil já registrou 7 casos de hantavírus em 2026, agente infeccioso que está por trás de um, que deixou três mortos. Entre esses casos, há uma morte confirmada (em Minas Gerais). Os registros não têm relação com o surto em andamento no cruzeiro. O hantavírus não é novo e provoca de 10 mil a 100 mil casos a cada ano no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).


Entenda:

Onde foram registrados os casos no Brasil?

Dados do Ministério da Saúde de até 27 de abril mostram que foram dois casos em Minas Gerais; dois no Rio Grande do Sul; hum em Santa Catarina; um no Paraná e uma sem unidade da federação identificada. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, houve ainda um segundo caso confirmado no estado neste ano.

No ano passado, o Brasil registrou 35 casos e 15 mortes por hantavírus. Os dados são preliminares e ainda podem ser atualizados.


Cenário

O cenário é esperado: segundo a mídia dos últimos cinco anos, o país identifica cerca de 45 infecções pelo vírus anualmente. Na série histórica, que teve início em 1993, o maior número de casos anuais foi registrado em 2006, quando 186 contaminados foram confirmados.

Em relação aos óbitos, a média dos últimos cinco anos aponta para cerca de 15 ocorrências anuais. Desde 1993, o ano mais letal foi também 2006, quando 71 vidas foram perdidas para o hantavírus.


Dia das Mães:

Em um recorte de 2007 a 2025, o Ministério da Saúde acordou que 76% dos casos de infecção por hantavírus no Brasil foram em homens de 20 a 49 anos; 81% ocorreram em zona rural e 93% exigiram hospitalização. A taxa de letalidade no período foi de 41%, ou seja, quase metade dos infectados morreram.

Em relação à exposição de risco, mais de 70% atuavam em atividades rurais. Em 45% dos casos, foi identificado contato com roedor, principal transmissor do microrganismo. Em 45%, houve exposição a desmatamento ou aragem da terra e, em 53%, a limpeza de galpão ou depósito.


O que é o hantavírus e de onde ele vem?

Os hantavírus são uma família de vírus que circula entre roedores e, em casos raros, infecta humanos e causa doença grave. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que ocorram de 10 mil a 100 mil infecções a cada ano. Quando isso acontece, a taxa de letalidade geralmente é de 1% a 15% na Ásia e na Europa, mas chega a 50% nas Américas.

O vírus foi reconhecido pela primeira vez em roedores em 1978 por pesquisadores coreanos. Décadas antes, houve um grande surto causado durante a Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, atingindo mais de três milhões de soldados das Nações Unidas. Um segundo grande surto do vírus ocorreu nos Estados Unidos, em 1993. Atualmente, mais de 21 hantavírus que causam doenças em humanos são conhecidos pelo mundo, entre eles os Andes, do surto atual em Cruzeiro.


Som Brasil Anitta:

Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, explicou que o hantavírus é transmitido na maioria das vezes por meio do contato com roedores infectados ou com sua urina, fezes ou saliva. O vírus Andes é a única espécie conhecida de hantavírus capaz de ser disseminada entre humanos, mas de forma limitada.

— Nos surtos anteriores do vírus Andes, a transmissão entre pessoas esteve associada ao contato próximo e prolongado, especialmente entre membros da mesma família, parceiros íntimos e pessoas que prestavam cuidados médicos. Isso parece ser o caso na situação atual — disse Tedros.

Ainda assim, na equipe da OMS, a diretora do departamento para Prevenção e a Preparação frente a Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, ressaltou que o surto atual de hantavírus não representa nem “o começo de uma epidemia” nem o de “uma pandemia”:

— Não é o começo de uma pandemia, mas é a ocasião ideal para lembrar que os investimentos em pesquisa de agentes patogênicos como estes são essenciais, pois os tratamentos, os testes de detecção e as vacinas salvam vidas.

'Minhas metades':

Onde circulam os hantavírus?

Os hantavírus estão presentes principalmente na Ásia e na Europa, onde causam a síndrome hemorrágica com insuficiência renal (SHIR), mas também circulam na região das Américas, onde provocam a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH)

Na Ásia Oriental, particularmente na China e na República da Coreia, o SHIR continua a ser responsável por milhares de casos anuais, embora a incidência tenha diminuído nas últimas décadas. Na Europa, milhares de casos são relatados a cada ano, principalmente nas regiões Norte e Central.

Nas Américas, a SCPH é registrada de forma muito mais rara, com centenas de casos relatados anualmente em todo o continente. Porém, apesar da menor incidência, a forma SCPH da infecção por hantavírus apresenta uma alta taxa de letalidade, geralmente entre 20% e 40%.


Quais são os sintomas do hantavírus?

Segundo a OMS, os sintomas geralmente começam entre uma e oito semanas após a exposição, dependendo do tipo de hantavírus, e geralmente incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas ou vômitos.

No caso do SCPH, a doença pode progredir rapidamente para tosse, falta de ar, acúmulo de líquido nos pulmões e choque. Na SHIR, os estágios mais avançados podem incluir hipotensão, distúrbios hemorrágicos e insuficiências renais.

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