Uma das maiores hegemonias continentais está sob risco. E o rival não está em quadra.
A seleção brasileira feminina de handebol, campeã dos Jogos Pan-Americanos nas últimas seis edições, está com dificuldades para conseguir a liberação das principais atletas do país, que jogam em grandes clubes da Europa.
O problema surgiu em razão da data do Pan de Santiago, entre 20 de outubro e 5 de novembro deste ano. A data está no calendário internacional da IHF (Federação Internacional de Handebol). Assim, os clubes precisam liberar as jogadoras.
No entanto, de 24 a 29 de outubro, quando estão marcadas as disputas femininas no Chile, também está marcada uma rodada da Champions League, principal competição europeia entre clubes. As duas últimas edições do Pan foram em julho. Guadalajara 2011 foi disputado em outubro.
A seleção brasileira masculina não enfrenta o mesmo problema, pois os jogos do Pan são de 30 de outubro a 4 de novembro, e nesse período está agendada a semana internacional, uma espécie de "Data Fifa" do handebol, na qual os clubes não têm compromissos locais em razão de partidas das seleções nacionais. A mesma semana, para o feminino, é entre 9 a 15 de outubro, e a seleção brasileira vai aproveitar para treinar em Rio Maior, em Portugal, onde fará amistoso contra a equipe do Benfica.
- A gente está numa tensão. Mas temos as normas da IHF a nosso favor. Como o Pan é classificatório direto para os Jogos Olímpicos, as jogadoras têm direito de serem dispensadas. O que temos receio é que algum clube não oficialize a liberação e fale diretamente com a atleta, que o presidente diga que “a decisão é sua” e, depois, elas possam sofrer represálias no futuro. A gente ouve das meninas a insegurança delas. É o que a gente sente sobre a liberação - explica Álvaro Casagrande, Diretor de Seleções da Confederação Brasileira de Handebol.
A confederação vai comunicar 30 jogadoras, nesta semana, sobre o desejo de convocá-las para o Pan de Santiago. Espera as respostas até o início de setembro para avaliar quais delas vai conseguir levar no grupo de 16 para os Jogos no Chile. São 12 atletas de linha, duas goleiras e mais duas que podem ser inscritas como opção para atuar caso haja alguma lesionada durante a competição.
- Já fomos informados que duas das principais já negociaram a liberação com os clubes. Falamos com a Coscabal (Confederação Sul e Centro Americana de Handebol) e disseram que já estão em contato com o presidente da Federação Espanhola para negociar a liberação de outras. Tentamos o contato, mas nos disseram que eles seguem o calendário da Europa - revelou o dirigente brasileiro.
Apenas o campeão do Pan consegue vaga direta para os Jogos Olímpicos, no masculino e no feminino. Foi o que aconteceu nas últimas edições com a seleção feminina do Brasil. A hegemonia das brasileiras é tão grande que, em caso de novo título em Santiago, elas podem igualar a famosa seleção feminina de vôlei de Cuba, de Regla Bell, Regla Torres e companhia, que conquistou sete títulos seguidos do Pan entre 1971 e 1999. Coincidentemente, o handebol do Brasil é campeão do Pan, no feminino, desde Winnipeg 1999.
A preocupação brasileira é que a grande rival continental, a Argentina, leve todas suas atletas. Segundo o dirigente brasileiro, nenhuma outra seleção das Américas fez queixa junto aos organizadores a respeito da dificuldade na liberação de atletas. Há a suspeita de que as argentinas tenham colocado em contrato a liberação para jogar o Pan, principal chance delas se classificarem para as Olimpíadas.
Caso não consiga a vaga no Pan, os segundos e terceiros colocados disputam um pré-olímpico mundial no ano que vem. A seleção masculina do Brasil ficou com o bronze no Pan de Lima 2019 e precisou dessa disputa, que envolve algumas potencias europeias, para ir aos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.
- O Pan é o caminho mais simples para as Olimpíadas. Com força total, os jogos Brasil x Argentina são equilibrados, parelhos, mas temos a hegemonia. Indo com força reduzida fica mais difícil, sim. É o que a gente não deseja. Queremos 100% de força. Pela classificação direta agora - resumiu Álvaro Casagrande.
O ge apurou que jogadoras importantes da seleção como Tamires, Bruna, Ana Paula e Renata --todas elas campeãs dos Jogos-- estão entre as que já conseguiram a liberação e irão ao Pan de Santiago. As outras tratativas ainda seguem. Na última convocação, seis das atletas atuavam na Espanha, liga que tem as negociações mais avançadas. Contudo, a busca pelo hepta começou muito antes de a seleção brasileira pisar na quadra do Ginásio de Viña del Mar, no Chile, em outubro.
Fonte: G1
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