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Julgamento de Bolsonaro e ex-ministros por tentativa de golpe tem voto de Fux nesta quarta

Por Elisângela Costa em 10/09/2025 09:03:44

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), será o terceiro a votar no julgamento que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados. Eles respondem por participação na tentativa de golpe de Estado em 2022. A sessão será retomada nesta quarta-feira (10).

Dois ministros já votaram pela condenação: Alexandre de Moraes, relator do caso, e Flávio Dino. Ainda não foram definidas as penas, mas Moraes sugeriu somar as punições. Dino defendeu penas diferentes, conforme o grau de envolvimento de cada réu.

Se Fux acompanhar o voto do relator, o colegiado terá maioria para condenar os oito réus.


Veja abaixo o roteiro dia e relembre as acusações.

O que acontece nesta quarta-feira?

Nesta quarta-feira, a Primeira Turma do STF se reúne para ouvir o voto do ministro Luiz Fux.

O magistrado indicou que vai abordar questões preliminares levantadas pelas defesas, como a competência do STF para julgar o caso.

Quando a Primeira Turma recebeu a denúncia contra o grupo, Fux votou no sentido de que o pedido de abertura de ação penal deveria ser analisado pelo plenário do STF, e não pelo colegiado.

O ministro deve apresentar seu posicionamento sobre as preliminares e o mérito — condenação ou absolvição — no mesmo voto.


O que ocorre depois do voto do Fux?

A sessão desta quarta deve ocorrer apenas pela manhã, e está agendada para terminar às 12h. Se o voto de Fux for breve, a ministra Cármen Lúcia pode apresentar o dela ainda hoje.

Primeira Turma tem outras sessões marcadas para os seguintes dias:

10 de setembro: das 09h às 12h.

11 de setembro: das 09h às 19h.

12 de setembro: das 09h às 19h.

Após o voto de Fux, e de Cármen Lúcia, o último a votar é o ministro Cristiano Zanin. A ordem segue a antiguidade no STF – Zanin vota por último por ser o presidente da Primeira Turma.

Decisão por maioria

Os ministros podem decidir:

pela absolvição: se isso ocorrer, o processo é arquivado;

pela condenação: se isso ocorrer, será fixada uma pena.

A deliberação - pela condenação ou absolvição - é por maioria de votos. Ou seja, se houver três votos em uma mesma linha, será esse o entendimento que vai prevalecer no colegiado.


Divergências

Os magistrados podem pontuar divergências parciais ao:

apresentar argumentos específicos;

propor cálculos de penas diferentes;

condenar réus que foram absolvidos pelo relator e vice-versa;

condenar por alguns crimes, rejeitando a aplicação de alguns delitos.

Pode ocorrer também a divergência total, ou seja, com o voto de Moraes pela condenação de todos, um ministro pode votar pela absolvição de todos.


Tempo de pena

Uma vez definida a condenação, a próxima etapa é a definição do tempo de pena, a chamada dosimetria.

O cálculo da punição segue um rito que envolve três fases:

na primeira fase é fixada a pena-base, conforme os limites da lei;

na segunda fase, os magistrados avaliam as circunstâncias que atenuam ou agravam a pena;

na terceira fase, são verificadas eventuais causas de diminuição ou aumento de pena.


Quem são os réus

O julgamento envolve oito réus:

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;

Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

Jair Bolsonaro, ex-presidente;

Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

Sete deles respondem por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

No caso de Alexandre Ramagem, o processo está suspenso em relação a dois crimes: dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A decisão foi tomada pela Câmara dos Deputados.


Fonte: Tv Globo

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