A transmissão do primeiro dia de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito que investiga a trama golpista chegou a 166.258 visualizações em 7 dias. Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes votou pela condenação dele e de mais sete réus nesta terça-feira (9/9) nos termos da acusação da Procuradoria-geral da República (PGR).
Os dados consideram apenas a transmissão realizada pelo canal oficial do STF no YouTube. O vídeo sobre o julgamento de Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, é da manhã de 2 de setembro.
Moraes vê Bolsonaro como o líder da “organização criminosa” responsável pela tentativa de golpe de Estado que buscava colocar em xeque o resultado das eleições de 2022, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT):
“Esse julgamento não discute se houve ou não tentativa de golpe, se houve ou não tentativa de abolição ao Estado de Direito. O que se discute é a autoria. Não há nenhuma dúvida nessas todas condenações (anteriores) de que houve tentativa de abolição, que houve tentativa de golpe, que houve organização criminosa”, ressaltou Moraes ao proferir o voto.
Além do STF, o Metrópoles também transmite ao vivo o julgamento de Bolsonaro e dos demais réus da trama golpista pelo YouTube. Assista no link acima.
“O réu Jair Bolsonaro deu sequência a essa estratégia golpista estruturada pela organização criminosa, sob sua liderança, para já colocar em dúvida o resultado das futuras eleições, sempre com a finalidade de obstruir o funcionamento da Justiça eleitoral, atentar contra o Poder Judiciário e garantir a manutenção do seu grupo político no poder, independentemente do resultado das eleições”, destacou Moraes.
No ranking, esse vídeo só perde para o do caso em que a 2ª Turma do STF reconheceu a parcialidade do ex-juiz e atual senador, Sérgio Moro (União-PR), ao condenar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do triplex em Guarujá (SP). Essa transmissão acumula 334.166 visualizações desde o dia do julgamento, em 23 de março de 2021.
Ao declarar a suspeição de Moro, os ministros anularam, por 3 votos a 2, todas as decisões dele – que se tornou ministro da Justiça e Segurança Pública de Bolsonaro em janeiro de 2019 – em relação ao processo sobre o triplex na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR). Lula respondia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O STF analisa os crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Os dois últimos não se aplicam ao deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Confira a lista dos outros sete réus do núcleo 1 da trama golpista:
Alexandre Ramagem: deputado federal e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A PGR o acusou de disseminar notícias falsas sobre fraude nas eleições;
Almir Garnier Santos: ex-comandante da Marinha. O almirante teria apoiado a tentativa de golpe em reunião com os outros chefes das Forças Armadas, na qual o então ministro da Defesa apresentou minuta de decreto golpista. Segundo a PGR, também teria deixado as tropas da Marinha à disposição do plano;
Anderson Torres: ex-ministro da Justiça. O ex-delegado é acusado de assessorar Bolsonaro na execução do plano golpista. Um dos indícios é a minuta do golpe encontrada na casa dele em janeiro de 2023.
Augusto Heleno: ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O general da reserva participou de uma live que, de acordo com a denúncia, divulgava notícias falsas sobre o sistema eleitoral. A PF também localizou uma agenda com anotações sobre o planejamento para descredibilizar as urnas eletrônicas.
Mauro Cid: ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A PGR alega que o tenente-coronel participou de reuniões sobre o golpe e trocou mensagens sobre o planejamento da ação;
Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa. O general teria apresentado aos comandantes militares um decreto de estado de defesa escrito por Bolsonaro, com a criação de uma “Comissão de Regularidade Eleitoral” e buscava anular o resultado das urnas.
Walter Braga Netto: ex-ministro da Casa Civil e da Defesa. O general da reserva, detido desde dezembro por suspeita de obstruir as investigações, teria entregado dinheiro em uma sacola de vinho para financiar acampamentos e ações que incluíam um plano para matar Moraes.
“A tentativa consuma o crime. Todos esses atos executórios, desde junho de 2021, até este momento, e prosseguindo até 8/1 2023, foram atos que consumaram golpe de estado. Não consumaram o golpe, mas não há necessidade de consumar o golpe”, completou o relator.
Fonte: Metrópoles
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