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Mineração ilegal de criptomoedas causou prejuízo de R$ 750 mil e dano ambiental em AL

Por Elisângela Costa em 12/01/2026 12:35:09

Uma operação da Polícia Civil de Alagoas (PCAL) revelou um esquema de mineração irregular de criptomoedas que vinha causando prejuízos milionários à concessionária de energia elétrica e impactos diretos ao meio ambiente e à população da zona rural de Porto Real do Colégio, no Baixo São Francisco. Estima-se que o furto de energia elétrica tenha gerado um rombo de aproximadamente R$ 750 mil em apenas cinco meses.


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De acordo com a delegada Bárbara Porto, da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil, quatro fazendas de mineração de criptoativos foram identificadas operando de forma clandestina. Embora a mineração de criptomoedas não seja ilegal no Brasil, as irregularidades constatadas transformaram a atividade em crime. No local, técnicos da Equatorial comprovaram o desvio direto de energia da rede pública, além de ligações precárias que sobrecarregavam o sistema elétrico da região.

O impacto foi sentido diretamente pelos moradores. Relatos apontam que oscilações constantes de energia causaram a queima de eletrodomésticos, curtos-circuitos e até incêndios em transformadores. A sobrecarga provocada pelo funcionamento ininterrupto das máquinas — que operavam 24 horas por dia — comprometeu a segurança elétrica e a qualidade do fornecimento para toda a comunidade local.


Materiais apreendidos pela polícia. Assessoria

Além do prejuízo econômico, a operação expôs um grave dano ambiental. As investigações confirmaram a captação irregular de água do Rio São Francisco, utilizada no resfriamento das máquinas de alta performance. A retirada da água ocorreu sem qualquer autorização dos órgãos ambientais competentes ou permissão legal relacionada ao uso dos recursos hídricos, ferindo normas ambientais e colocando em risco o equilíbrio do ecossistema da região.

Outro fator que gerou revolta entre os moradores foi o barulho intenso e constante produzido pelos equipamentos, que utilizam sistemas de ventilação e resfriamento industrial. O ruído permanente comprometeu o bem-estar da população que vive no entorno das fazendas clandestinas.

Durante a operação, não houve prisões. Segundo a Polícia Civil, os responsáveis pelas máquinas não estavam nos locais no momento da fiscalização. As investigações apontam que os equipamentos eram instalados em imóveis alugados, com moradores recebendo valores mensais para ceder espaço, muitas vezes sem pleno conhecimento da ilegalidade da atividade. Parte dessas pessoas acreditava que a mineração era totalmente legal, após pesquisas superficiais na internet.

Foram apreendidas dezenas de máquinas de mineração, além de grande quantidade de cabos e fiações usadas para o desvio de energia. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar os verdadeiros responsáveis pelo esquema e apurar outros possíveis crimes, como sonegação fiscal, prejuízo ao erário, crimes contra o sistema tributário e até lavagem de dinheiro.


*Por GazetaWeb

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