Piá é preso pela quinta vez — Foto: Reprodução EPTV
O ex-meia Piá, de 52 anos e com passagens por Ponte Preta, Corinthians e Santos, foi preso na noite de segunda-feira, em Sumaré, no interior de São Paulo, durante o patrulhamento do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP). É a quinta vez que ele é detido. As outras tinham sido por furto a caixa eletrônico.
Desta vez, o motivo foi um mandado pela condenação de dois anos, oito meses e 20 dias em regime inicial fechado por tentativa de manipulação de resultado de um jogo em 2018.
A prisão ocorreu por volta das 21h de segunda-feira, na Rua Romilda Tomazin Borro, no Condomínio Real Park. Segundo a corporação, os policiais avistaram um VW Polo e suspeitaram do motorista, que era o único ocupante do carro e tentou mudar de direção ao ver a viatura.
A equipe do BAEP emitiu sinais sonoros e luminosos para realizar a abordagem, mas o ex-jogador tentou fugir e quebrou a cancela de de um condomínio. Nenhum material ilícito foi encontrado com ele.
Aos policiais, Piá afirmou que fugiu porque era procurado pela Justiça. Ele foi preso, levado ao plantão policial de Sumaré e ficou à disposição da Justiça. O ex-jogador trabalha como empresário de atletas desde o fim de 2023.
Piá, ex-jogador — Foto: Alex Cardim/ EPTV
Em 2018, quando trabalhava no departamento de futebol do Independente de Limeira, Piá foi denunciado pelo Ministério Público.
A acusação foi de que ele ofereceu valores entre R$ 3 mil e R$ 7 mil a um goleiro do Independente para sofrer gols em uma partida contra o Comercial, pela então quarta divisão do futebol paulista - o placar terminou 0 a 0.
Piá negou as acusações, mas, em agosto de 2022, o juiz Rafael da Cruz Gouveia Linardi, da 3ª Vara Criminal de Limeira, considerou Piá culpado por crime previsto no Estatuto do Torcedor de prometer vantagem para outro atleta com objetivo de alterar o resultado.
Em julho de 2025, a condenação chegou a ser anulada em primeiro grau. A decisão de extinguir o processo, do juiz Rudi Hiroshi Shinen, da 3ª Vara Criminal de Limeira, foi tomada a partir do pedido da defesa de Piá com base em decreto presidencial de 2022 sobre indulto (perdão de pena). O ex-jogador não estava na cadeia e aguardava o julgamento do recurso em liberdade.
Com parecer favorável do Ministério Público, o magistrado entendeu que Piá atendia aos requisitos do artigo 5 do decreto, que prevê a concessão do indulto "às pessoas condenadas por crime cuja pena privativa de liberdade máxima em abstrato não seja superior a cinco anos".
Mas depois, o próprio Ministério Público recorreu da decisão, e o juiz também mudou o entendimento, cassando a própria anulação, em janeiro de 2026, o que fez com o que mandato de prisão voltasse a valer.
Em nota, a defesa do ex-jogador afirmou que discute novamente a extinção da pena, agora com base em um decreto de 2025.
- Desde a instauração da ação penal não houve cometimento de fato criminal novo, Reginaldo encontra-se perfeitamente integrado ao convívio social, trabalha na gestão de atletas de futebol, trabalha com crianças carentes em um projeto social da região, é pai de uma menina de 6 anos, possui comorbidades que exigem tratamento especial constante - diz a nota, assinada pelo advogado Anivaldo dos Anjos Filho.
- A nossa discussão hoje no judiciário é referente a eficácia da aplicação da lei penal, no caso concreto, principalmente quando falamos que o sistema penitenciário tem por objetivo primordial a recuperação do apenado - completou a defesa do ex-jogador.
Piá teve passagem marcante pela Ponte — Foto: Alex Cardim/ EPTV
Histórico
A primeira vez que Piá teve o nome envolvido em caso policial foi em julho de 1999, quando ele, então atleta da Ponte Preta, foi indiciado como coautor do assassinato de um mecânico, em uma lanchonete de Limeira. A acusação era que Piá foi o responsável por dar a ordem para um primo pegar o revólver em seu carro e atirar na vítima. Ele foi absolvido.
Piá parou de jogar em 2011, pelo Aparecidense-GO. O auge da carreira foi entre 1999 e 2003, quando fez parte dos times da Ponte que atingiram as semifinais do Paulistão e também da Copa do Brasil, além das quartas do Brasileirão.
Já as passagens por Corinthians e Santos foram bem mais discretas. Pelo Timão, atuou apenas sete jogos durante o Brasileirão de 2004 antes de ser liberado pelo clube.
No Peixe, foi comprado ainda no início da carreira, em 1996, mas nunca se firmou e acabou repassado a outros times até ser comprado pela Macaca, em 2000. Durante o período no Santos, aliás, Piá conta que o Rei Pelé foi até o seu apartamento para cobrá-lo pelo comportamento pouco profissional fora de campo.
Piá no início de carreira — Foto: Reprodução EPTV
Além de Macaca, Corinthians e Santos, ele defendeu, entre outros clubes, Portuguesa, Santa Cruz, Coritiba, Inter de Limeira, Bragantino, São Raimundo, Rio Preto e Independente de Limeira, entre outros. Foram 26 clubes ao todo durante a carreira. Como treinador, dirigiu Independente, Novoperário, Batatais e Paraíba do Sul-RJ.
Piá já foi preso quatro vezes por furto a caixa eletrônico e já cumpriu duas sentenças: uma de 1 ano e 4 meses de reclusão em regime aberto (agosto de 2016) e outra de 2 anos de reclusão, sendo 1 ano e 7 meses em regime fechado e o restante em regime semiaberto.
Fonte: Ge
Gostaríamos de utilizar cookies para lhe assegurar uma melhor experiência. Você nos permite? Política de Privacidade