by Maria Clara
Na política, há encontros que valem mais pelo que simbolizam do que pelo que
de fato produzem. Foi mais ou menos isso que aconteceu na noite da última
sexta-feira (13), após o encontro estadual do MDB, quando algumas das figuras
mais conhecidas do cenário político alagoano resolveram esticar a conversa no
restaurante Akuaba, em Maceió.
Estavam lá o senador Renan Calheiros, o
deputado federal Isnaldo Bulhões Jr., o ex-governador Teotonio Vilela e outros
nomes com trânsito nos bastidores do poder. Em outra mesa do restaurante,
coincidentemente, um grupo de vereadores da capital — entre eles Kelmann
Vieira, Chico Filho e Thales Diniz — acompanhava o secretário de Governo da Prefeitura
de Maceió, Júnior Leão, homem de confiança do prefeito JHC.
Isnaldo, bom de diálogo e velho conhecido dos
dois lados, fez o que se espera dele: atravessou o salão, puxou uma cadeira e
foi colocar a conversa em dia com o grupo de JHC. Nada demais até aí. Mas
bastou uma piada, lançada por um dos vereadores, para acender a faísca de uma
especulação: "Já pensou numa chapa com Isnaldo Bulhões para governador e
Marina Candia de vice?"
A brincadeira foi recebida com bom humor, mas
também com um leve aceno de aprovação por parte de Isnaldo, que reconheceu que
uma união entre os dois grupos — MDB e o núcleo político de JHC — teria força
para sacudir o tabuleiro eleitoral.
A conversa, que não passava de uma anedota de
mesa, acabou “vazando” e ganhou vida própria. Em pouco tempo, a “chapa
improvisada” virou tema de análise entre colunistas, estrategistas e curiosos
da política local.
Por enquanto, é só conversa. Não há
articulações em andamento nem sinalização oficial de que Isnaldo esteja de fato
Por: Weverton Bruno
construindo uma aliança com Marina Candia — nome ligado ao prefeito João
Henrique Caldas. Ainda assim, o episódio serviu para mostrar como as relações
entre os grupos, antes distantes, hoje têm pontos de contato mais claros. E
Isnaldo, que mantém canais abertos com JHC e João Caldas, parece cada vez mais
à vontade nesse papel de ponte.
No MDB, seu nome é considerado forte, com
prestígio no cenário nacional. Seria natural vê-lo como candidato ao governo de
Alagoas. O problema é a equação interna: para viabilizar uma candidatura
majoritária, seria preciso equacionar também o espaço de Renan Filho —
peça-chave para manter a fidelidade de aliados como Marcelo Victor e o atual
governador Paulo Dantas.
Mas isso, como dizem os mais experientes da
política, é assunto para outro capítulo. Por ora, tudo o que se tem é uma
conversa jogada ao vento — ou melhor, à mesa — que acendeu mais do que se
esperava.
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